Juarez – vigilante noturno, a seu dispor. Apenas tanto Juarez quanto outro qualquer, dispensa sobrenome. Dono-de-casa nas horas vagas e, como companhia, apenas um porco de Quem cuidava. Juarez careca e esférico, bigode belchioriano e dono de uma voz muda aos ouvidos dos advogados, empresários ou outra merda de profissão que lhes rendiam aquelas belas casas, com quatro carros na garagem, às quais Juarez assistia todas as noites como entretenimento.
Mas falemos do porco, pois de Juarez muito já foi dito. Imagine! Juarez ser o centro de algo?! Juarez era centro de nada. No máximo centralizava-se na guarita, onde mais preenchia que circunpontuava. O porco... esse sim!
Todos os dias o porquinho esperava o dono voltar, cheirando a hortinha verde no cantinho do barracão. cebolinhas, hortelã... huuuum! Cheirinho de terra, azedinho... mordia leve só pra ter aquele cheiro em seu paladar. depois andava trôpego, num toque lento e desengonçado de buns, que pareciam ensaiar suaves sons de bandolins. canção de roinc-roincs harmonizados e as notas se espalhando pelo ar...
Rosa... rosinha... gordinho... focinho redondo, bem redondinho. Parecia tomada de quarto de menina nininha, que tem penteadeira e panelinha. E quando o sino soava o meio-dia? Aaah...... lá ele se ia! cambaleante rolava na areia e parava de barriguinha pro ar! Patinha encolhida e orelha a balançar!
Como era dengoso aquele porquinho! Um olho fechado e o outro a pestanejar.
Juarez no fim do mês não entrava: invadia, arrombava. Caía no chão e o porco lambia. Tirava sempre uma garrafa de pinga do armário. Pobre Juarez, sua única alegria era o bicho que fedia.

[Isabela Rosemback]