Na mesa, a xícara rústica. Grande, de pedra, sem asa. Na mesa, nós três. Sônia fazia o café. A sala, em meio à Mata Atlântica do litoral norte de São Paulo, nos dava a sensação de tranqüilidade, embora eu estivesse nervosa. Era meu primeiro contato, diante de tanta história. Uma semi-jornalista sentada em frente à sua primeira grande reportagem. O medo do não. Um não simpático, seria. Ele é muito simpático. Alberto, que às 14h nos esperava na entrada de sua casa, como pontualmente havia marcado. Nas paredes, quadros expressionistas. Belos quadros. Deti-me por alguns instantes observando cada traço, cada imagem implícita naquelas cores. Logo voltei à mesa: “trabalharemos em conjunto”.  No rosto de Alberto a expressão de quem ainda tinha dúvidas. “Qual é o seu contato com o tema?”, uma das perguntas a que respondi. Mas aos poucos a conversa foi ficando leve e o café foi derramado em minha xicrinha rústica. “com açúcar?” – pode ser. Ainda na sala, uma enorme estante lotada de livros. Sônia está lá, procurando um dos que levarei para casa.  É o começo de meu estudo bibliográfico, com a orientação do melhor professor que eu poderia ter sobre o assunto. Em meio a tantos títulos, foi difícil achar aquele que ele havia indicado para esta primeira etapa. Apenas achou o original, em francês. Nessas horas seria bom saber francês, mas não sei. A tradução em espanhol ficou para a próxima visita. Para esta, dois livros de suma importância. Raros e de rico conteúdo. Sinto, ao final do encontro, um entusiasmo contido em todos os que estão sentados à mesa. Abraçando aqueles livros me despeço dos dois novos personagens de minha história e da história que irei contar. O primeiro dos diversos adeus que darei durante um ano e meio.

 

[Isabela Rosemback]



Escrito por mim: Isabela! às 10h18
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Esse é "das antigas"... da época em que minha professora de biologia do colegial mandou fazer, sobre nossa visita ao núcleo Picinguaba (Ubatuba - Litoral Norte SP), um poeminha. Encontrei no meio de minhas coisas e achei divertido colocar aqui... 

MANGUE

Do amapá ao rio Araranguá

em meio aos litorais tropicais

entre os rios, a terra e o mar

que vastos são os manguezais!

 

Solo enriquecido

muita matéria orgânica

de oxigênio é desprovido

carangueijos, aves, plantas

 

Nutrientes e algas

alimentos marinhos

alimento para água

solo escuro, detritos

 

Guaiamum

no mangue se reproduz

na restinga se alimenta

Maria mulata, mulato véio

vermelho carangueijo,

do mangue não se ausenta

 

Uniforme Berçário do Atlântico

tuas árvores têm mesma altura

as visitas emprestam a ti

a juventude de suas criaturas

            [Isabela Rosemback]

 

** Não é bonitinho? hehe



Escrito por mim: Isabela! às 15h56
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BRASIL, Sudeste, SAO JOSE DOS CAMPOS, Vale do Paraíba Paulista, Mulher, de 20 a 25 anos, Semi-jornalista, gosta de livros,música, bebericadas e conversas


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