Ontem li o óbvio em uma revista. Cafuné é um santo remédio para stress, mau-humor e depressão. Ah! Tenho certeza que se lessem, cafuné é que não me faltaria, tanto que ouço represálias à minha muitas vezes não-simpatia (de quem só tem como sonhos uma bela de uma cama). Engraçado como às vezes as coisas consomem tanto o seu tempo a ponto de fazerem você se esquecer até mesmo do porquê faz tudo isso. Sem questionar, apenas faz. Preciso sempre amarrar uma fitinha no dedo do meio que é pra me lembrar que há um propósito em tudo isso, embora nem sempre lógico. Meu olho também sempre faz questão de me lembrar. Sim, porque a doença da moda agora é stress. No começo do ano passado procurei um dermatologista para descobrir a razão pela qual minha pálpebra resolveu descascar e coçar sem nenhum motivo aparente. O doutor: Olá, coça mais em algum lugar? Não... nem na axila? Não. Nem na virilha? Que é isso, doutor? Na coxa também não? Eu vou embora! Fala alemão? Muito pouco. Ah (ria), mas seu nome é alemão. Sim, meu nome é alemão. Mas só na pálpebra? Não, no cartório, no RG. A coceira. Ah, sim, a coceira. E então? Então o quê? Só na pálpebra? Ah, sim... descasca muito. Muito? E incha. É, está rosa. Pois então? O quê? O que tenho? Ah... você está com algum problema na família? Não é da sua conta. No trabalho? Eu não trabalho. Na escola? Já estou na universidade! Faz o quê? Jornalismo. Ah, jornalismo! Sim. Que bela profissão! Também acho. É muito amplo, né? É... está avançando a sobrancelha, doutor! Me referia ao curso. Ah, sim. Stress. Desculpe. Por quê? Por te deixar nervoso. Nervoso, eu? Sim. Imagina! Mas foi o senhor quem disse. Eu? Acabou de dizer. O que eu disse? Stress. Ah, sim. Odeio tapinha nas costas. Desculpe, me exaltei. Agora quem está nervosa sou eu. Se acalme. Se você disser o que eu tenho. Você? Eu odeio tapinha nas costas. Stress. De novo? Pois é, o que você tem é stress, vou te passar uma pomadinha. Stress? Você passa uma vez por dia, antes de dormir. Stress?  Boa noite. Eu odeio tapinha nas costas. Volte sempre.



Escrito por mim: Isabela! às 17h43
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Mas pra que ter dedos? Um dia comera um inteirinho sem nem perceber. Quando foi apontar pra besta, acabou ele mesmo se acurralando. A besta ria que só vendo! Enfia esse dedo no cu, se não estiver apertado. O bichinho tremia. E logo por toda a floresta era sabido o dia em que o tatu, de tão envergado, virou bola e saiu rolando pro buraquinho. Faz assim não, homi, que se pega, pega de jeito! Não fazia falta nenhuma, afinal. O que é um entre tantos? Calma, gritava ele. Calma que assim não há pulso que agüente! E o bicho cavava fundo. E a água fria tomou conta do caminho, matando afogado o pobre tatuzinho.

[Isabela Rosemback]



Escrito por mim: Isabela! às 16h19
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O copo vazio estava sobre a mesa. Um tombo só que ai, doeu? Não. Está acostumada, deixe estar, deixo estar, estou. Estou mais sóbria do que nunca, mas o copo permanece lá, vaziozinho. Inho. Inho... igual que nem quando ainda não o tinha enchido, nem uma gota a mais. E a sede ali, gritando comigo. Pouca miséria! Pois isso é líqüido que se preze? Um simples deslizar em mim, mas nada que estabelece. Antes isso! Ora, mas que mal agradecida! Pensava ela o quê? Que por toda satisfação faria tudo? Desceria escada, abriria a grande porta e empurraria tudo pra dentro? Ora, mas que distorcida percepção da realidade! As coisas pra ontem, do jeito que convêm. Não seria um tanto quanto grosseiro de minha parte mandar enfiar toda essa arrogância direto no cu? Por isso não o fiz. Mas lá dentro, bem no fundinho do revestimento, sussurrei paradoxalmente alto para que enfiasse em novelo toda a linha de arrogância - lá mesmo - nos fundilhos! Cu! Meu cu seco e rouco pra você. Não engulo, arranha tão, que se engasga faz tremer todinha... pelus erectus. O copo não entendia nada, mas ainda sim olhava, transparente, com uns escritos em inglês. Não sei por que raios comprei este copo. Tenho um surto naciolingüístico. Neologista também, de fato. Isso de ir contra palavras ou hábitos de fora me ocorre de quando em vez. Foda-se o que dizem, deixe isso pra lá, o que é que tem? Cada um escreve o que bem entender e, não sei porque, ainda me incomodo com aquele copo. Um simples copo ordinário, comprado em promoção. Agora não tenho mais vontade de beber neste copo. Fico feliz em contribuir com o meio ambiente, mandando mais uma porção de vidro para o reaproveitamento. Devo fazer isso com papéis, em breve. Mas agora a preguiça toma conta de mim e (ai!) é pecado. Quem disse? Pecado, pecado. Não sinto culpa por estar cansada, não acho que deva alguém sentir. Regras tolas, mas uma força imensa por trás de tudo isso. Sou movida por ela, todos são. O mais cético dos céticos, ainda assim sendo, esconde no fundo de uma única célula que seja um microscópico, porém credo. E atire a primeira pedra aquele que nunca creu (em fala religiosamente embasada, que é essa).

                     [Isabela Rosemback]



Escrito por mim: Isabela! às 22h58
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BRASIL, Sudeste, SAO JOSE DOS CAMPOS, Vale do Paraíba Paulista, Mulher, de 20 a 25 anos, Semi-jornalista, gosta de livros,música, bebericadas e conversas


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