Se é vírus ele se instalou também em mim, pois não apenas o blog saiu do ar, como aquela que o escreve. Aliás, ela se encontra apenas em choviscos, virtualmente teclando a quem a lê (alguém ainda a lê?). Se então viesse a mim a imagem das listras coloridas, vista em programação da madrugada, em vários canais de TV, eu diria que sou a branca, assistindo os segundos passarem no reloginho em fim de tela. E por falar em branco, dei um pulinho esta semana no Rio de Janeiro. Continuo branca, mais branca do que nunca. Sol mesmo peguei apenas um dia, depois o céu se fechou contra mim, gritando: "vá assistir às palestras, Isabela!" e eu, obediente que sou, segui direitinho a programação. Uma semana de Comunicação em tempo integral.
Enquanto todos se maravilhavam com o Cristo Redentor, com o Jardim Botânico, etc... eu, que não estava com todos, e sim na casa de minha avó, me maravilhei com cenas do Alto da Boa Vista, dentro de um ônibus circular. Veja você se não é ganhar o dia passar entre árvores e deparar-se com uma fileira de táxis fusquinhas. Sim! Uma fileira de fusquinhas amarelinhos, esperando passageiros. Quase desci do ônibus e pedi para que o motorista que estava debruçado sobre um deles me deixasse em casa.
Além disso, já que fusquinha remete a anos oitenta, outra situação aparentemente besta (como costumo usar) me proporcionou um momento de estúpido êxtase: quando pequena nunca entendia que diabos significava aquele impronunciável palavrão pós posto à fala "versão brasileira" do começo dos deseínhos animados aos quais assistia (santa guinorança infantil!). Pois não foi que o 'evertirrichi', anos mais tarde, em meio a um bate-bate de cabeça no vidro da condução carioca (que parece não ter amortecedor), apareceu diante de meus olhos? Passei em frente aos estúdios Hebert Richers e me deu uma nostalgia gostosa... aliás, primo da nostalgia é o saudosismo e, como li no blog (sempre interessante) de BOI, "saudosismo é uma droga que, esta sim, deixa você igual a seus pais". Triste dedução, não?
Mas uma óbvia, porém bem construída e passada dedução foi a que um argentino veio me oferecer, no pátio da UERJ, enquanto eu fazia hora para entrar na palestra que eu viria dali a duas horas. Ele me pediu para que eu fizesse o favor de assistir a uma palestra. "Quando?" Agora. "Onde?" Aqui. E então tirou um quadro branco da bolsa e disse coisas como "o mundo hoje é muito materialista" e "todos buscam a felicidade nos lugares errados". Bla, bla, bla? Talvez, mas foi interessante. Fiquei conversando com o argentino e soube que ele faz parte de uma organização que tem como meta levar o conhecimento da auto-consciência a um grande número de pessoas, afim de fazer algo pela coletividade. Uma causa humana, sem fins lucrativos. E eu me redimi pelo furo do começo, quando pedi que ele se sentasse ao meu lado me certificando: "vc não vai me pedir uma contribuição depois não, né?". Achei piegas, porém interessante quando ele disse que as pessoas deveriam parar mais para ouvirem suas próprias respirações. Como seria uma onomatopéia de respiração?? Hein? Adotarei aqui o (f) e seguirei treinando minha audição.... ffffffffffffffffffff...... fffffffffffffffff....... ffffffffffff.....
[Isabela Rosemback]