Sim... eu sei que esse texto é repetido. Mas eu faço questão de reforçar meu ponto de vista após ler nova matéria, divulgada no jornal regional Vale Paraibano, sobre nova votação do projeto fecha-bar em São José dos Campos.
Esses vereadores não têm mesmo mais com o que se preocupar no ofício deles, não? Vão trabalhar homens!! (com coisas que relamente acrescentem algo à melhoria na qualidade de vida da população!)
Fui assaltada esses dias perto de casa, lugar de grande movimento hoje na cidade, mas nada é feito a respeito. Ali não tem nenhum bar.... nem policiamento! E olha que fui abordada às 21:30h!
Tenham uma boa leitura!
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Há pouco tempo um vereador de minha cidade lançou na Câmara um projeto de lei que visava limitar a vida noturna na cidade. Não em sua completa acepção, mas fechando bares e padarias depois de um certo horário incoerente.
Esse texto abaixo escrevi para servir de editorial a um jornal local que acabou preferindo não o divulgar, já que o político hoje afirma que o projeto merece uma revisão e cogita, inclusive, o arquivamento da proposta. Ele hoje diz que os motivos seriam outros e se contradiz ao justificar sua ação a favor dos moradores próximos a tais estabelecimentos, para fazer valer a lei do silêncio.
Se é por segurança ou silêncio, não sei. Só sei que eu não quero me calar diante do projeto original desse vereador que tem seus valores ideológicos pautados não só por crenças políticas, mas por outras que não me cabe aqui discutir.
O ex-editorial, na íntegra:
Aos moradores de São José dos Campos, é bom que corram atrás de um estoque de milho de pipoca e atualizem suas listas de filmes a alugar: provavelmente essa será uma opção de lazer noturna mais freqüente a todos, caso seja aprovado o projeto de lei do vereador Hélio Nishimoto (PSDB) que dispõe sobre o fechamento de bares e padarias na cidade, quando os relógios registrarem 23:00h.
Munido de argumentos que apontam a segurança pública como justificativa e, apresentando, para reforçar, dados estatísticos da violência local que pouco convencem àqueles que não abrem mão de um momento de descontração na semana, o vereador não percebe que a proposta do “fecha bar”, como é chamado o projeto, fere os direitos naturais do indivíduo e age de forma impositiva sobre uma sociedade que cobra, a cada dia, mais participação e coletividade.
A verdade é que (sim!) a violência existe e é onipresente e atemporal. Todos nós estamos expostos a riscos e somos conscientes disto quando optamos por sair de casa em busca de diversão. Assim é o garoto que freqüenta uma Lan House, assim são as pessoas que procuram um bom filme no cinema e assim são, também, aqueles que sentem prazer ao sentar diante de uma mesa de bar em seu total direito de escolha e sociabilidade.
Mudam-se os cenários, mas o que persiste é a necessidade humana de encontrar formas de relaxamento e satisfação pessoal de acordo com sua própria vontade e disponibilidade de tempo.
Em todos os estabelecimentos citados anteriormente há o possível acesso além das 23h, mas apenas padarias e bares estão dependendo de votação na Câmara. Oras, por quê?
Se fosse mesmo a intenção da lei garantir segurança à população, lan houses deveriam, do mesmo modo, ser fechadas. Shoppings Centers e postos de gasolina, também. Ah, supermercados e estabelecimentos que oferecem lanches na madrugada, igualmente!
Há pouco tempo, assaltos a bancos foram registrados dentro da estrutura de um shopping center de São José dos Campos. Durante o dia há ocorrências das mais diversas formas de violência na cidade. Ainda em abril, caiu uma árvore que derrubou um poste de iluminação sobre os carros que passavam na Av. 09 de julho. Pergunto: diante destes riscos, que novas leis restritivas seriam feitas? Evitar passar por ruas onde existam árvores? Só passar no corredor do banco, no shopping, se for utilizar o mesmo e, mesmo assim, em um período estipulado?
Questões esdrúxulas para ilustrar um projeto de lei equivalente. Não há sentido em privar uma comunidade de seu direito ao lazer e entretenimento. Muito menos há quando apenas uma parcela dela responde à incoerência de autoridades municipais movidas pelo abuso de poder e julgamentos de valor, ao invés da razão em prol do bem comum. Com tanta coisa a ser melhorada na cidade, nos vários setores como educação, saúde e transporte, há quem esteja preocupado com a “segurança” dos freqüentadores de bar. Há quem pense numa solução cômoda a sua ampla visão de mundo – desçam as portas dos bares – à mais coesa dentre as soluções para o problema levantado: um reforço no policiamento noturno.
[Isabela Rosemback]