Engraçado como o que é grande de repente se torna pequenininho. Um absoluto mínimo, que cresce devagarzinho... queimando lá no fundo, te deixando aflito. Ande, moça! Levante a cabeça! Não vê que não se pode andar pra trás? Agosto já se foi, pra bem longe. Não pode acreditar em tudo que ouve, que lê. São lendas, são crenças. São sementes de sua última morte.
Ora! Como pode ser tão ignorante? Logo você, que se diz tão crítica? Pois enxergue além da vasta barriga e perceba que não só de medidas fúteis se vive a vida! E não é atirando em terra que verá seu corpo desmoronar sobre a correnteza. Não, não. Merece você um belo tapa na face oculta de sua tristeza, pra ver se lhe escapa pelas vísceras algum vestígio de brasume.
Não pode viver de soluços, vê se assume! Eles são virose, chorume. Lago seco, coqueluche. Por quanto tempo acha que sobreviverá a última de suas mortes? Aquela que te move? E que você faz questão de apagar com esse olhar escroto e cego? Com a cabeça baixa...? É indecente a forma como se vence. Em pensar que, há pouco, a isso tudo era indiferente.
Ora! Adimira-me muito ter que aconselher mulher sabidêra. É mesmo uma incógnita essa que segue a gente na matéria. É ela a grande 'sabedoura' de nós mesmos. É nossa, mas fora de alcance - ainda que a coisa mais próxima que temos. Pois nós a sentimos. E é esse mesmo sentir que faz você assim, tão absurda. Tão absorta. Tão volátil. E única.
[Isabela Rosemback]